sábado, 21 de dezembro de 2013

Últimos gritos



Necessito escrever algo que não sei,

A possibilidade de não o fazer me sufoca.

Qualquer coisa que caiba aqui, além de mim, que já sinto o claustro desde o fim da madrugada.

Estou triste, e sinto a necessidade de assim permanecer.

Não há diálogo efetivo; Não há diálogo afetivo.

Ante a imagem no espelho, infiel aos traços reais, só há silêncios.

Desses externos a si, acumulados ao longo das vidas -

Sete vindas - felinas e decadentes.

Paciência, mulher! Só te cabem as curvas de teu corpo!

Sorria enquanto ser palpável ainda te resta ser, pois tuas abstrações são imorais, como o odor que carrega consigo, de mulher desvirginada.

Independente da música que toca,

Tu te tocas como se a mais bela fosse!

E deixas as mãos desenharem a submissão em tua carne,

Cada pecado pelo qual tu foste condenada, cada bruxa contida em ti.

Mal sabem eles que o fogo torna-te, cada vez mais, parte da natureza,

E toda vez que atinges o êxtase torna-te livre.

Essa energia infiltra-se em mim,

Que sinto com as mãos doutras,

Não podendo haver dissociação.

Sou a parte viva que quer morrer.

5 comentários:

  1. Nossa, que massa, cada pecado , cada bruxa, e o fogo torna-te parte da natureza... construção perfeita.

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  2. É Tão chocante , profundo , sensual e, sensual . ...

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  3. Que lindo, Nátali.
    Seu texto é de uma feminilidade enorme. Na verdade, acho que só uma mulher seria capaz de realmente compreendê-lo. Suas ideias são muito visuais, porque traduzem sensações são muito intensas e eu gosto e me identifico muito com esse tipo de leitura.
    "Sete vindas - felinas e decadentes." - Gostei muito dessa parte, minha preferida.
    Seus textos parecem pequenos suicídios de sensações que morrem assim que você as escreve. Embora pareça dramático, na verdade é muito delicado!

    P.s: Adorei te conhecer!

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  4. O grito é também a palavra escrita, o grito que reverbera, até mesmo quando a boca quer calar...

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  5. Senti uma pegada de ultrarromantismo aí. Rsrs. Que texto interessante! Traz feminilidade, mistério, dor e sensualidade todos muito bem entrelaçados. Assim como Kristal, adorei a parte do "Sete vindas - felinas e decadentes." E amei mesmo o uso de paradoxos. São o que há na linguagem poética! Teu texto me fez lembrar de Álvares de Azevedo, e isso é mais que um elogio! Rsrs. Parabéns e continue!

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