Necessito escrever algo que não sei,
A possibilidade de não o fazer me sufoca.
Qualquer coisa que caiba aqui, além de mim, que já sinto o
claustro desde o fim da madrugada.
Estou triste, e sinto a necessidade de assim permanecer.
Não há diálogo efetivo; Não há diálogo afetivo.
Ante a imagem no espelho, infiel aos traços reais, só há
silêncios.
Desses externos a si, acumulados ao longo das vidas -
Sete vindas - felinas e decadentes.
Paciência, mulher! Só te cabem as curvas de teu corpo!
Sorria enquanto ser palpável ainda te resta ser, pois tuas
abstrações são imorais, como o odor que carrega consigo, de mulher
desvirginada.
Independente da música que toca,
Tu te tocas como se a mais bela fosse!
E deixas as mãos desenharem a submissão em tua carne,
Cada pecado pelo qual tu foste condenada, cada bruxa contida
em ti.
Mal sabem eles que o fogo torna-te, cada vez mais,
parte da natureza,
E toda vez que atinges o êxtase torna-te livre.
Essa energia infiltra-se em mim,
Que sinto com as mãos doutras,
Não podendo haver dissociação.
Sou a parte viva que quer morrer.
Nossa, que massa, cada pecado , cada bruxa, e o fogo torna-te parte da natureza... construção perfeita.
ResponderExcluirÉ Tão chocante , profundo , sensual e, sensual . ...
ResponderExcluirQue lindo, Nátali.
ResponderExcluirSeu texto é de uma feminilidade enorme. Na verdade, acho que só uma mulher seria capaz de realmente compreendê-lo. Suas ideias são muito visuais, porque traduzem sensações são muito intensas e eu gosto e me identifico muito com esse tipo de leitura.
"Sete vindas - felinas e decadentes." - Gostei muito dessa parte, minha preferida.
Seus textos parecem pequenos suicídios de sensações que morrem assim que você as escreve. Embora pareça dramático, na verdade é muito delicado!
P.s: Adorei te conhecer!
O grito é também a palavra escrita, o grito que reverbera, até mesmo quando a boca quer calar...
ResponderExcluirSenti uma pegada de ultrarromantismo aí. Rsrs. Que texto interessante! Traz feminilidade, mistério, dor e sensualidade todos muito bem entrelaçados. Assim como Kristal, adorei a parte do "Sete vindas - felinas e decadentes." E amei mesmo o uso de paradoxos. São o que há na linguagem poética! Teu texto me fez lembrar de Álvares de Azevedo, e isso é mais que um elogio! Rsrs. Parabéns e continue!
ResponderExcluir